Pretos Velhos

Os Pretos Velhos são um dos pilares de sustentação da Umbanda. A linha de Preto Velho, tem como Orixá patrono
sustentador, Pai Omulu. São o arquétipo da humildade, resignação, abnegação, simplicidade, amor. São aqueles que
dão o colo, ótimos ouvintes, são os terapeutas da Umbanda, porém, sabem chamar atenção dos filhos com muita potência e carinho. Por trás da imagem do velhinho sentado no “toco”são hábeis na manipulação de magia, são mirongueiros por essência, são profundos conhecedores da alma humana, são extremamente respeitados por todos os trabalhadores da egrégora umbandistas e por diferentes classes de espíritos.

A falange é formada pelo arquétipo de espíritos que quando encarnados foram escravos, oriundos das diferentes regiões do continente africano ou nascidos em terras brasileiras. Porém nem todo preto velho é negro, e velho ou africano. Algumas casas atualmente vem nomeando como a linha dos “Pais Velhos”, por esses enviados trazerem conhecimentos milenares.

Por se apresentarem com esta roupagem fluídica, em geral, tem um linguajar simples e manso. Já na Umbanda
Esotérica a linha é denominada Yorimá. No entanto, sempre devemos ter cuidado com os rótulos, pois também existem enviados desta linha que são de pouca brincadeira e são mais secos no trato com as pessoas. Outro exemplo, é que nem todo Preto Velho fica sentado no banquinho, alguns realizam seus atendimentos em pé e tem movimentos bem desenvoltos. Como também, nem todos andam encurvados ou tem a fala enrolada, inclusive, alguns sabem ler e
escrever.
Os enviados desta falange são oriundos de Aruanda, Angola, Luanda, Guiné, Benguela, Minas Gerais, Bahia,
Cruzeiro das Almas, Congo, Mujongo, Praia, Mar, Oriente, Cachoeira, Matas, Pedreira etc. Eles se apresentam nas mais distintas formas: Pai, Mãe, Vovô, Vovó, Tio e Tia ou simplesmente pelo nome.

Muitos trabalhadores que compõem a falange, foram rezadores, benzedores, babalorixás, ialorixás, babalaôs. Iniciados em diferentes cultos, sacerdotes, curandeiros, conhecedores do segredo das ervas, lidavam com o cultivo da terra, com o plantio, com criação de animais.

Vale ressaltar, que os Orixás foram introduzidos na religião de Umbanda por Pai Antônio, assim como o uso de guias, banquinho e cachimbo. São peritos em promoverem limpezas no campo energético de pessoas e ambientes, através do uso de cachimbos e suas baforadas, de rezas, ladainhas, ervas, rosários, terços, cruz, patuás, guias, bengalas, pemba, facas, punhais, figas, tesouras, pólvora (tuia ou fundanga) e uma infinidade de elementos.

A ritualística dos enviados desta falange é muito associada aos santos católicos: Santo Antônio, São Benedito, São Cipriano, São Bento, Santo Onofre, São Pedro, São Miguel das Almas, Senhor do Bonfim da Bahia, Nossa Senhora do Bom Parto, Nossa Senhora de Nazareth, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora do Desterro, Nossa Senhora do Rosário etc. Assim como o sincretismo com os Orixás. Além de um forte culto as Almas Santas e Benditas, dentre outras Almas.

A cor atribuída a falange dos Pretos Velhos é preto e branco, fazendo uma direta alusão ao Orixá Omulu, podendo haver variações mediante ao entre cruzamento com o Orixá que liberou o Preto Velho. O dia da semana de culto a falange é a segunda feira e data de louvação é 13/05 em homenagem a libertação dos escravos no Brasil.

Oferenda: feijoada, peixada, pirão, mingau, tutu, garapa, café, vinho moscatel, cachaça, coquinho, chá, fumo (cachimbo, cigarro de palha, charuto, fumo de rolo), laranja, caldo de cana, doces e comidas típicas da culinária negra etc.
Saudação: Adorei as Almas!
Ervas: Arruda, Guiné, Rosa Branca, Vassourinha, Lágrima de Nossa Senhora, Manjericão, Alecrim, Canela de Velho, Barba de Velho.
Sementes: Lágrima de Nossa Senhora, Olho de Boi, Chapéu de Napoleão, Dendezeiro etc.
Flores: Flor do Campo, Rosas, Gipsio etc.
Essência: Arruda